Absolutamente Certo

Direção: Anselmo Duarde
Companhia Produtora: Cinedistri Ltda.
Ano: 1957

Para ajudar o pai paralítico e conseguir dinheiro para se casar, um linotipista – que sabe toda a lista telefônica de cor – resolve entrar para um concurso milionário de perguntas e respostas na televisão. A fama e o envolvimento de um ‘bookmaker’ grã-fino dificultam a realização de seus propósitos, mas tudo será resolvido graças à astúcia e às habilidades de Zé do Lino.

Na primeira sequência, vemos um hábito cultural do início da televisão no Brasil. Numa vizinhança de um bairro operário na zona leste, especificamente na rua da Penha na Vila Campanela, o casal Dona Bela (Dercy Gonçalves) e Toneco (Carlos Costa), os primeiros a dispor da então novidade que era o aparelho de televisão, abrem sua residência para os vizinhos que se amontoam na sala comendo, bebendo e fumando para assistir aos programas, sendo cobrado 5 cruzeiros de cada um. A televisão era um bem de consumo caro e Toneco diz que levaram “três meses no jabá com farinha” para conseguirem dar entrada no aparelho. Eles assistem ao programa de perguntas e respostas, Absolutamente Certo, que dá título ao filme e que premia em dinheiro os participantes que acertam as respostas de conhecimento geral, podendo o prêmio chegar a um milhão de cruzeiros. A transmissão de TV no Brasil começou da década de 1950 na cidade de São Paulo e no ano do filme, 1957, existiam três emissoras de São Paulo, a TV Tupi, primeira a ser inaugurada em 1950, a TV Paulista de 1952, e a TV Record de 1953. Esta última realizou em 1955 a primeira transmissão ao vivo de um jogo de futebol, Palmeiras x Santos.

Acima vemos o casal de noivos e vizinhos Zé do Lino (Anselmo Duarte) e Gina (Maria Dilnah) namorando na porta de suas casas de padrão italiano quando ele é hostilizado por sua sogra Dona Bela.

Sequência exemplar da relação autoritária e de exploração dos trabalhadores pelos patrões. Na tipografia, os funcionários trabalham em seus linotipos fazendo listas telefônicas quando param para conversar um pouco e são interrompidos pelo chefe (A. Fregolente) e seu filho Raul (Aurélio Teixeira) com as palavras: “Que comício era esse aqui? Pensam que isso aqui é a casa da sogra“; “É o que eu digo papai, operário só chicote!“. Em seguida, Zé do Lino, melhor funcionário da empresa, pede aumento de ordenado ao chefe, pois irá casar, sendo recusado.

Raul leva Zé do Lino nos estúdios do programa Absolutamente Certo para inscrevê-lo com o diretor Túlio (Sérgio de Oliveira). A princípio este se nega alegando que o programa tem o objetivo de ilustrar as pessoas difundindo conhecimentos de cultura e não banalidades como saber a lista telefônica de cor. Após a insistência de Raul, Túlio resolve perguntar aos patrocinadores da Itapetininga Propaganda, localizada na rua Cel. Xavier de Toledo, 44, 6º andar. O diretor da agência, Guilherme (Murilo Amorim Corrêa) rapidamente se anima ao vislumbrar as possibilidades para a audiência e manda Túlio inscrever Zé do Lino. O diálogo que aparece a seguir entre Zé do Lino e a secretária que pede seus dados, mostra o quanto o telefone era um bem que poucos tinham acesso nesta época.

A pequena sequência acima demonstra um padrão de comportamento masculino em relação às mulheres por muito tempo naturalizado e que anos atrás não chamaria a atenção. Quando Gina vai até a tipografia no Vale do Anhangabaú onde trabalha seu noivo Zé do Lino para encontrá-lo, ela é assediada por todos os homens que passam por ela com palavras chulas como “boa” e “dá pra mim“, inclusive pelo porteiro (José Mercaldi) mesmo depois de ela se apresentar.

Raul dirige seu carro esportivo pelo Vale do Anhangabaú dando carona a Zé do Lino que procura sua noiva Gina. Eles passam pelo Buraco do Ademar, construído entre 1948 e 1950, na altura da Praça do Correio, sob a Avenida São João, e saem em baixo do Viaduto Santa Ifigênia. Ao encontrar Gina, Zé do Lino e ela tomam um bonde em direção à casa. A relação do casal é curiosa para os padrões atuais. O galã chama ela de feia e burra e diz que a ama por sua beleza interior, o que faz a moça se sentir lisonjeada.

Nesta última sequência selecionada, Zé do Lino vai ao programa Absolutamente Certo demonstrar sua habilidade de saber a lista telefônica de cor e concorrer a um milhão de cruzeiros. Humilde e simplório, Zé do Lino manda mensagens a sua noiva, novamente a chamando de feia, a sua sogra e seu pai que o assistem de casa. O apresentador pergunta o endereço e telefone do assinante Luciano Rinaldi (Luciano Gregory), morador do Brás, na rua Caetano Pinto, 383, cj. C. Nesse momento, vemos o interior da residência de Luciano Rinaldi, duas crianças brincando na sala, sua mulher e o próprio Rinaldi lendo o tradicional jornal da comunidade de italianos de São Paulo, Fanfulla.

Referências:

http://bcc.cinemateca.org.br/cartazes/cartaz_fb/006899#

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